sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Napoles e Costa Amalfitana - Outubro 2025


Aterramos em Nápoles perto das 23h00. Hora já tardia, no entanto ainda deu para irmos comer umas pizzas excelentes a uma pequena pizzaria chamada Paki. Correu de facto bem porque matamos a fome e nos trataram de uma forma exemplar!
Ficamos alojados num pequeno apartamento a cerca de 7km do centro da cidade, pelas fotos parecia bem maior, de quaquer forma deu para descansar e como era apenas uma noite serviu perfeitamente.
Na primeira manhã aproveitamos para irmos conhecer um pouco de Nápoles. Os condutores napolitanos são completamente doidos, e rápidos e destemidos, uma coisa alucinante!! Mas conseguimos sair ilesos, assim como a viatura que alugamos para estes dias.
Fomos tomar o pequeno-almoço a um local incrível chamado Gambrinus. Requintado, eficiente e com uma decoração palaciana! Os funcionários atrás do balcão, todos com idades acima de 60 anos, pelo menos pareciam... dominavam a arte de eleboração dos pedidos com uma facilidade e um à vontade tremendos. Ficamos com a ideia que era fácil servir tanta clientela, centenas de pessoas em poucos minutos, e sempre com boa disposição. Excelente casa para se visitar e talvez disfrutar um pouco mais do que nós fizemos, apenas não o fizemos porque tínhamos estacionado basicamente no meio da rua...
Seguimos para conhecer um dos locais onde o Maradona tem vários motivos em sua homenagem, só que entramos nesses bairros de carro, e as ruas eram mais estreitas do que contávamos e tinham povo que até metia medo... após alguns minutos às aranhas lá conseguimos sair e ir estacionar o carro num lugar decente e voltar ao bairro mas desta vez a pé. Correu melhor e deu para perceber e sentir a alma que aquela cidade tem. À volta do futebol e endeusada pelo "El Pibe", Nápoles é de facto muito sui generis. A espécie de memorial do Maradona que visitamos tem uma energia digna do craque argentino, que imagino que terá vagueado algumas vezes por os becos dos bairros napolitanos...
Fomos almoçar àquela que dizem ser uma das Pizzarias mais antigas do país, a L'Antica Pizzeria da Michele, fundada em 1870, e que tinha uma fila bastante grande e ainda por cima com alguma chuva à mistura. Esperamos um pouco mais de trinta minutos. Achei as pizzas boas, bem fininhas e bastante baratas. Foi a refeição mais barata da viagem, 26€ para os 4, a  beber cerveja.
A tarde estava destinada para Pompeia que ficava a cerca ded 40 min de distância. 
Quando chegamos e nos dirigíamos para a entrada do Parque Arqueológico, fomos abordados por uma transeunte, com o intuito de nos verder bilhetes de entrada para o parque, e assim fugíamos das fila das bilheteiras... o facto é que não compramos e quando chegamos à entrada, foi-nos informado que era um dia de visitas gratuito... Rimo-nos à brava!
O tempo estava cinzento e a ameaçar chuva mas mesmo assim conseguimos passar umas 3 horas a visitar um parque com uma visão dantesca! Deu para imaginar a vida que aquela cidade teria antes da catástrofe e como ficou após! Uma tarde cansativa mas cheia de cultura e que nos deu asas à imaginação.
Retornamos à estrada, em direcção a Massa Lubrense, que iria ser o nosso quartel-general nas próximas noites.
A viagem transforma-se assim que se chega à estrada da Costa. 
Miradouros deslumbrantes, muito trânsito, muitas motas, muitos turistas e muita gente a viver do turismo. Mas o local onde ficamos era de facto muito sossegado.
Foi fácil encontrar a casa que tínhamos reservado e a recepção foi rápida, prática e muito simpática. Tanto que marcamos logo o jantar no pequeno restaurante pertencente à familia da Villa.
A casa era humilde, um pouco desconfortável mas penso que nos transmitiu a realidade de muitas das pessoas daquele lugar.
A família proprietária daquele empreendimento era super afável, muito prestável e simpática. Eles vivem do turismo. Além dos alugueres das casas, do restaurante, proporcionam visitas com turistas a vários locais, e com várias actividades, entre as quais, como fazer pizzas ou visitar Capri ou fazer a Costa Amalfitana de barco.
Jantamos muito bem, a comida estava boa, o vinho é que não era grande coisa, no entanto o limoncello compensou.Chegamos ao 3º dia, Positano e Amalfi seriam os destinos.
Massa Lubrense ficava a cerca de 20km mas para os percorrer seriam sempre pelo menos 45 minutos e com adrenalina à mistura. As estaradas naquela zona são bastante estreitas e há muitos autocarros a circular.
Chegamos a Positano e agora o desafio era estacionar. Se o carro ficasse na parte de cima, o caminho iria ser longo e o regresso bastante custoso porque é tudo muito inclinado. 
Descemos e arranjamos um parque, supostamente caro, mas perto do centro da vila.
Positano é muito movimentado, tanto por turistas como por quem trabalha com eles.
Achei a cidade demasiado virada para o comércio mas com lojas lindíssimas, com os limões e o verde muito em destaque, e com preços altos.
A parte mais baixa, mesmo com a areia e o mar a poucos metros, tem bastantes restaurantes e bares para se usufruir da belíssima vista das casas sobre a encosta.
Nota-se que quem lá vive gosta daquele constante burburinho turístico.
Deveríamos ter ido a um bar, bem a um canto da enseanda, que tinha uma vista fantástica e um sossego para aproveitar...
Muitas fotos tiramos, mas teríamos que seguir viagem para o almoço em Amalfi. O parque nem se revelou assim tão caro porque nos fizeram um descontosito...
Rumo a Amalfi, foi mais do mesmo. Bonitas paisagens, trânsito e tangentes.
O estacionamento é complicado em toda a Costa e em Amalfi foi igual, mas nada de alarmante.
Gostei bastante de Amalfi. Alegre, solarenga, ritmada e menos chique.
Uma escadaria para a Igreja muito procurada, tanto para descanso como para belas fotos.
O almoço estava previsto numa pizzaria mas que nesse dia era o descanso semanal. Procuramos outra que até era bastante gira. Comemos na espalanda, coberta com vinha (?) e com umas massas porreiras. E vinho caro!
Deu para passearmos um pouco, beber uma cerveja na praça e comer uns gelados de limão.
No retorno, deu para conhecer e tomar um banho no Fiordo di Furore, local embçemático da Costa Amalfitana. Muitas fotos num lugar incrível e eu não poderia ter deixado de lá ter dado um mergulho! E ainda tive sorte de encontrar uma toalha num dos barcos de pesca que lá se encontravam parados. 
Era fim de tarde e retornamos para Massa Lubrense para o alojamento. (cont)

sexta-feira, 5 de setembro de 2025




 Sobre Paredes de Coura 2025!!


Já fui a dezenas de festivais, centenas de concertos, mas nunca senti nada assim...

Talvez com a idade, a sensibilidade para determinadas coisas fique mais exposta...

Já lá tinha estado, acho eu que no ano de abertura, e foi diferente, mas transformou-se el algo incrível. A idade ficou intemporal, algo fantástico e impossível de apreciar noutros locais e noutros contextos. 

Apreciei, irei voltar para confirmar a existência desta fabulosa juventude que lá encontrei! Sem complexos, sem julgamentos, sem preconceitos!! Incrível. Eu e a Elisabete ficamos maravilhados.

Estivemos com uns miúdos, que surgiram do nada... Surfistas da Costa da Caparica, com uma amabilidade incrível, de uma simplicidade raramente vista nos dias de hoje, que apesar de serem campeões nacionais, uns de bodyboard, outros de surf, a única coisa a querem é estar com os amigos. 

Bem haja a quem criou o festival, num local paradisíaco, com um rio lindo, e que proporciona a todos um bem estar tremendo. 

Se tudo correr bem, para o ano lá estaremos para curtirmos, esta é a expressão certa, curtirmos tudo o que por lá se passa.

As bandas foram incríveis apesar de nenhuma ser das que mais aprecio!! Nada importante com tanta riqueza de pessoas! 

Ps. Obrigado aos engenheiros informáticos de Aveiro pela agradável conversa?? E à malta da velha guarda pelas cervejas e bagaço!!

Obrigado Miguel e Anabela Amaral pelo ingresso!! E pela boa disposição, e pela companhia na tenda!!!!

#vodafoneparedesdecoura2025



quarta-feira, 11 de junho de 2025

Fechou-se o ciclo da competição!



Hoje disputei o último jogo no Campeonato de futebol de Masters da AFPorto.

A competição faz parte da minha vida desportiva desde 1983, e algum dia teria que acabar.

Acho que com 53 anos já não faz sentido ter um compromisso semanal com o pensamento numa pontuação para a melhor classificação possível. 

O querer vencer dentro do terreno do jogo é algo que deve estar sempre presente, mas actualmente nunca pode estar acima de outros factores, tais como, o espírito de veterano, a diversão no jogo, o fair-play, o jogar apenas pelo prazer, etc...

Daí a minha decisão de apenas fazer amigáveis, privilegiando o exercício físico, a convivência, a ausência de pressão dos pontos e sobretudo o prazer de jogar à bola.

Obrigado a todos os que se cruzaram comigo dentro e fora do campo tendo a certeza que dei tudo para tentar ser a melhor pessoa possível. 

Vamos nos cruzando por aí em convívios desportivos. 


quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

2024




 Como eu vi o 2024:

Vitórias internas:

- mais um ano sem tabaco; 

- mais um ano sem doenças; 

- ainda a conseguir (tentar) jogar futebol; 

- boas voltas de bicicleta;

- viagem a Santiago de Compostela;

- adaptação rápida a óculos e lentes progressivas; 

- vitória no Torneio Internacional de veteranos de Paçô, pelo FC Famalicão;

- continuo a conseguir divertir-me diariamente, sem isto a vida faria menos sentido;


Vitórias externas: 

- Ucrânia ainda resiste; 

- Gisèle Pelicot;

- André Villas Boas;

- SCFreamunde; 

- Sporting Clube Portugal; 


Derrotas internas

- algumas lesões musculares; 

- multa condução muito grave; 

- 1 acidente de viação ligeiríssimo;

- 1 lesão óssea ligeira

- visão a piorar;


Derrotas externas: 

-internamento da minha irmã por princípios de Alzheimer;

-morte de pessoas minhas conhecidas;

- Pinto da Costa; 

- SLBenfica, o seu treinador e o seu Presidente; 


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Adeptos, esses injustos!


 Adorava que todos os adeptos de futebol tivessem tido jeito para jogar futebol . E tê-lo feito contra outros melhores ou pelo menos também com jeito para a coisa...

É que o seu grau de exigência é de facto enorme, mas incapazes de compreender que por vezes queremos e não conseguimos. Talvez pelo facto de não sermos assim tão superiores aos demais. Ou devido a tantos outros motivos que não o consigamos mostrar dentro de campo. 

Temos os nossos momentos, alguns melhores, outros piores, e não é o facto de ganharmos ordenados mais altos que os adversários que nos faz melhores do que eles. 

Se assim fosse não era necessário haverem jogos e tudo se resumiria a estatística. 

É deprimente a forma como os treinadores e jogadores são tratados pelos seus próprios adeptos. Penso que talvez seja devido à inveja de não terem conseguido lá chegar.

Um pena.

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Do Porto até Santiago De Compostela de bike!! 2024

 


Penso que este vídeo não traduz nem 10% daquilo que experienciámos durante esta magnífica viagem.
Quando a apelido magnífica, é realmente aquilo que achei dela, não sabendo se os meus colegas de trip acharam o mesmo...
Poderia ter corrido melhor, sim.
Poderia ter sido mais calma, também é verdade.
Mas foi o que foi.

Saí de casa por volta das 6h00, esperei um pouco pelo Castro, para seguirmos para a Estação de comboios de Ermesinde e apanhar o trem para São Bento. Aí iríamos já de bike até à Sé do Porto, que seria o nosso ponto de partida.
A Sé já estava com bastante movimento, mesmo sendo uma hora madrugadora. Vários peregrinos iriam aproveitar o feriado para iniciarem as suas viagens até Santiago de Compostela.
Estava a realizar um desejo já com uns dois anitos, e agora na companhia do meu melhor amigo.
O Castro tinha começado a pedalar há cerca de 3 meses e o que conseguiu foi de facto uma proeza. Ainda por cima meio lesionado de uma queda na semana anterior. 
Partimos.
Iríamos apanhar mais 2 colegas em Lavra, o Sérgio, meu amigo de longa data e um amigo dele, o Nuno.
Por volta das 09h30 já estávamos juntos e continuamos o caminho, parando para hidratar com cerveja sempre que possível , até porque a caderneta da Peregrinação estava vazia...
Sempre pela costa mas sendo o mais fiéis que pudéssemos às indicações próprias de Santiago, aquelas tão conhecidas imagens azuis e amarelas!
Tínhamos cerca de 300kms para percorrer e segundo a nossa programação, chegaríamos a Santiago no Domingo. Só que, por falta de comunicação minha, o Sérgio e o Nuno, teriam que lá chegar no Sábado... e tudo mudou. Como estávamos juntos, e assim estaríamos até ao fim, há que dar ao pedal.
O percurso até Vila do Conde é bastante giro e peculiar porque se passa pelos bairros piscatórios e também pela área protegida no Mindelo, onde vivem alguns pássaros raros.
Na Azurara, um Campeonato de Malha, com Djs, bifanas e cerveja, veio mesmo a calhar!
A fome e a sede já teimavam em aparecer, e assim foi. Bifana e cerveja para a viagem até ao almoço, que seria em Viana do Castelo.
Seguimos caminho, bem encostados ao mar, Vila do Conde, e o seu Castelo, Póvoa de Varzim, o Casino, onde tantas noites vivemos grandes emoções, principalmente más!! Passagem junto de uns amigos, Dores e Orquídea, que estavam à espera para nos desejar uma boa viagem (vénia). 
Apúlia, onde encontramos bem no meio da natureza, junto às dunas e aos canaviais, um imigrante Chileno, de La Paz, no seu moinho arrendado por 500€ mensais, a vender bebidas aos peregrinos.
Muito simpático e como bom anfitrião, nos convidou a visitar a sua casa, a qual dividia com a irmã. 
O moinho, além de ser de vento, também tinha uma mó bem dentro da habitação, completamente funcional e que no inverno, com o leito do riacho mais forte, era aproveitada para a sua função.
Bebemos umas cervejas e continuamos.
Ao passar Fão, e com algum défice de açúcar, resolvemos parar numa das confeitarias mais conhecidas da vila e aproveitar para nos consolarmos com a doçaria típica que são as Clarinhas! Acompanhadas pelas minis, souberam mesmo muito bem! Seria a última paragem antes do almoço, que só seria por volta das 16h...
Muito difícil a passagem em Cerveira pelo monte, a subir bastante e com uma cãibra no adutor esquerdo. Foi a primeira vez que me aconteceu em cima da bicicleta e de acordo com uns transeuntes que iam a passar, nunca iria chegar a Santiago, por estar com estas dificuldades com apenas 70 e poucos kms percorridos. Não sabem eles o que é espírito de sacrifício...
Chegamos a Viana, e perto do tasco onde iríamos almoçar/lanchar, apareceu o 1º furo. Tocou ao Sérgio, que fez uns 200m com a bike pela mão, para depois de nos vitaminarmos, procedermos à troca da câmara de ar.
Petiscos e vinho verde. Ovas, bucho, moelas, petingas, etc, com pão e vinho. Saímos mais consolados para o destino que era Caminha, ou se ainda desse, La Guardia.
Depois de bastante caminho em terra, fizemos alguma nacional, até porque começou a chover a sério! Durante +- 15min, caíu muita água! Mas lá chegamos a Caminha e fomos directo ao local onde os barcos atracam, para ver se ainda atravessávamos o rio.
Já não, por 15min de atraso.
Estávamos com fome novamente, e sede também, por isso há que escolher um local para mais uns petiscos e tratar do alojamento. Algo que não foi fácil devido à sobrelotação na cidade e arredores.
Ao comentarmos  com a funcionária da pastelaria onde nos encontrávamos, o proprietário apercebeu-se, e questionou-nos sobre o assunto, ao qual respondemos afirmativamente. Logo se predispôs a ligar para um tio que tinha em Moledo uns quartos para alugar. E assim ficou resolvido, e da melhor forma possível, visto ter-mos pago 50€ pelos quartos, com 2 wc completos, uma cozinha regional, sala com aquecimento e um grande jardim! 
Teríamos era que pedalar cerca de 5km para trás, mas foi rápido.
Recebidos exemplarmente pelo "Carpinteiro", era assim que se intitulava a casa e o seu proprietário, que nos contou em 10min quase toda a sua vida, apressamo-nos a tomar um bom e merecido banho quente, para de seguida arranjarmos onde jantar, isto já perto das 23h.
Fomos de Uber para o centro de Moledo, onde ainda conseguimos quem, nos servisse e com muita atenção e respeito. E francesinhas para todos, nada de especial mas com a fome que tínhamos, tudo ía. E sede, muita sede, até de Scotch no final. 
Terminamos a noite sendo transportados para os aposentos de boleia no carro do cozinheiro! A hora de levantar seria às 6h30.
Dormimos bem.
Acordamos bem também e com entusiasmo e ainda mais um furo para tratar.
Tudo resolvido, vamos para Caminha para atravessar de barco até Espanha.
Depois de um bom pequeno almoço, dirigimo-nos para o cais e aí conseguem-se vários tipos de barcos e de viagens e de preços. Optámos pelo mais barato e mais rápido.
A viagem dura cerca de 10min. E depois de tudo bem arrumado, as bikes, nós e ainda 2 alemãs que ainda couberam, zarpamos para a outra margem, sempre sob as explicações técnicas do "Capitão" da embarcação. Muito simpático e disponível.
Estávamos em Espanha e o que notamos logo, foi a simpatia e os desejos de um "buen camiño" por parte dos habitantes daquela zona com quem nos cruzávamos.
Estes próximos kms até Baiona foram excepcionais em termos paisagísticos. Quase sempre em "cima do mar" com o contraste do verde dos minifúndios existentes, com as suas vacas pastando, delimitados por muros de pedras soltas. 
Paramos numa esplanada muito gira para bebermos umas cervejas e comermos uns croissants.
Apenas os últimos kms, já bem perto de Baiona, foram feitos em estrada mas quase sempre com ciclovia. A tempo foi-se aguentando quase sempre seco...
Baiona, almoço de tapas na zona histórica. Tudo caro, no entanto comemos bem.
Calamares, lulas,  peixes do rio, pão delicioso e mantequilla com cerveja à mistura.
Seguíríamos caminho por Vigo com destino a Pontevedra.
Até Vigo ainda passamos por algumas localidades junto ao mar e com umas praias surf bem engraçadas. Algumas com acesso de saída por escadas, o que envolveu alguma força de braços!!
À chegada a Vigo, paramos numa taperia para bebermos umas San Miguel e as funcionárias fizeram questão de nos oferecer, como presente pela peregrinação, umas baguetes de jamon e queso, que nos souberam pela vida!!
Em Vigo, tentamos encontrar a ciclovia que pertenceria ao "camiño", o que levou a nos perdermos do Nuno, que seguiu por outra ciclovia e só nos encontraríamos de novo em Pontevedra.
No entanto, eu, Castro e o Sérgio, depois de ter-mos subido cerca de 300m com a bicicleta à mão, uma rampa mesmo muito íngreme, encontramos um estradão fantástico e muito plano. Com vistas deslumbrantes e por dentro de uma vegetação muito densa, seguimos caminho até Redondela, onde supostamente encontraríamos o Nuno. Mas não, desencontrámo-nos novamente pois andamos uns km em sentido contrário! Seria da cerveja?? Não de certeza!
Em Redondela ainda hidratamos de novo, um pouco à pressa mas a sede não perdoa. É muito líquido perdido nas subidas!! E já eram umas 18h30, com mais 30km para andar pelo monte...
Não foi fácil e assim que escureceu tornou-se uma tarefa hercúlea! Com uma única luz digna de iluminar o caminho e mal, as restantes eram apenas de presença. Lama, muita água, muitas raízes no trilho e até ramos muito baixos, onde, num deles, o capacete do Sérgio marcou presença!! A importância do uso do capacete tornou-se, para nós, imprescindível, pois sem ele, talvez a viagem tivesse corrido mal!.
Com bastante esforço e perseverança, além dos muitos sapos que vimos e admiramos pelo caminho, conseguimos chegar ao hotel que tinha sido já marcado pelo Nuno. Caro, muito pequeno mas foi o único com quartos livres.
Havia que tomar um bom banho quente, pois chegamos gelados e muito sujos.
Outra tarefa que se avizinhava difícil, marcar jantar às 23h30. 
Com a ajuda da internet, identificamos um restaurante que nos serviria se chegassemos até às 23h45. Algo quase impossível pois estava a chover muito e estávamos a 1,5km. Fomos de encontro a um taxi e seguimos viagem. Durante a mesma, e pelas indicações que demos ao taxista, ele perguntou o que queríamos comer e pela nossa resposta, ligou para um restauarante de um amigo. o qual logo se prontificou a tratar da nossa fome!
Fomos parar a um tasquinho de grelhados, de aspecto humilde, e com malta que se notava ser habitual no local, algo que se viria a comprovar durante a madrugada.
O Abel, propriatário do tasco, iria preparar uma carne de vitela grelhada, com batatas fritas e salada. Traria também um Rioja tinto para acompanhar.
Sempre muito atencioso e conversador, o Abel, não tardou a estar sentado connosco e contar grandes peripécias no tasco passadas!!
Ainda comemos uma sobremesa meia manhosa, da qual não me recordo muito bem, assim como queso e compota. Mas o bravo ainda iria chegar com a descoberta do Castro, quando foi dentro do balcão para ir buscar um digestivo, e encontrou Cacique 500, duas garrafas...
Começou a alegria a apoderar-se de todos, e foi uma madrugada bem passada. Cheia de estórias, de todos, e de uma volta pelas catacumbas do tasco, onde se faziam grandes despedidas de solteiros, principalmente de portugueses, e de Paços de Ferreira, terra que conhecíamos bem!
Acabamos a ser escoltados pelo Abel, que seguia de scooter ao nosso lado, a indicar-nos o hotel. Uma jóia de pessoa. Tivemos sorte mas merecemos!
Para dormir é que não teríamos muito tempo...
O Nuno, como se tinha deitado cedo, resolveu arrancar logo cedo, mas nós teríamos que descanasar mais um pouco, se quisséssemos chegar a Santiago.
Voltamos à estrada às 10h30, depois do pequeno-almoço.
Bastante "amassados" mas com espírito guerreiro, seguimos com destino a Caldas de Reis, onde iríamos parar no restaurante que estava marcado para o jantar, de modo a alterar o nº de pessoas e a hora. É engraçado porque o percurso foi bastante giro, mas as recordações não ficaram muito presentes.
Paramos na Pousada dos Peregrinos, um tasco com uma esplanada coberta por vides, cheia de peregrinos, para comermos uns petiscos e bebermos umas cervejas, até porque o dia estava mais quente que os anteriores.
Quase sempre a subir, apanhamos alguma mas nada de mais.
Conforme as intenções, paramos no El Muiño, restaurante bem encostado à ponte de entrada em Caldas. De entrada ranhosa, tudo em pedra e até mesmo o dono e as funcionárias nos pareceram de pedra, assim como os seus cérebros...
Pedimos para efectuarem as alterações e enquanto isso, pedimos também 3 cañas, um pratinho de queijo e um pão de 4 bicos. Esperamos, esperamos e continuamos à espera, isto com ainda mais de 40km para pedalar e já não era cedo...
Entretanto, lá apareceram as cervejas assim como o queijo e o pão que eram de facto muito bons! Já a conta é que preconizava um rombo ao jantar... Pagamos 25€ pelo mini lanche... e com palavras como "logo não venham com tanta pressa!!" Não gostamos sobretudo da arrogância!
E lá fomos caminho fora. Muita subida, muito desgaste, tudo estava a ficar penoso, consolados apenas pela diminuição dos kms em falta. 
Passamos numa mata fantástica, onde ainda vi alguns esquilos e aí ainda descemos um pouco, sendo os próximos kms a chegar a Santiago, ainda mais a subir.
Quando demos por ela... o objectivo estava concretizado!! Chegamos a Santiago de Compostela!! Penso que uma vitória para todos, apesar de, pensando agora, não teria sido tão difícil quanto isso se nos tivéssemos cuidado mais um pouco. Mas não teria sido tão divertido como foi!
Passaram 3 semanas e sempre que penso no caminho fico nostálgico e com saudades de tudo!
Espero mais oportunidades para algo do género!
A aventura ainda continuou mas sem bikes.
Fomos de volta a Caldas, eu, o Castro e o Rui Pedro, um nosso amigo e que seria a boleia para o Porto, onde alugamos uns quartos para passarmos a noite. Banhos tomados, e bora para o El Muiño, onde esperaríamos pelo Sérgio, Nuno e uma casal que os foi buscar. 
Só que a viagem deles não terá sido fácil devido ao carregamento do carro elétrico...
Acabamos por jantar apenas os três. Mas não deixamos os créditos por mãos alheias. Tudo em quantidade e qualidade! Desde as entradas, ao Costeletão e ao vinho Albariño, que era excelente.
Obrigado aos 3 companheiros de viagem!
Mas um agradecimento muito especial ao nosso amigo Rui Pedro, que se deslocou de Lisboa a Santiago de Compostela para nos ir buscar e trazer as bikes!!
De facto é um amigo exemplar. 
O almoço de Domingo, que ainda por cima foi oferecido pelo Rui, foi a cereja no topo do bolo. 
Uma viagem que ficará para sempre na minha memória!

Do sempre amigo. Tiago Regadas